9/08/2006

Manifesto PCC Revolucionário

Marx analisou a sociedade de sua época e verificou que a classe que detinha o potencial revolucionário socialista era a classe trabalhadora. Foi uma época, baseada na revolução industrial, de grandes transformações no mundo do trabalho cuja classe operária estava no centro dessas transformações, pois com suas mãos movimentavam as engrenagens do sistema capitalista. Daí ser o centro desse importante papel histórico revolucionário.O poder político era, e ainda é, fundamentado no poder econômico. Os donos dos meios de produção também possuíam o poder político e cultural nas mãos. Para acontecer a revolução os trabalhadores deveriam tomar o poder e implantar a conhecida e condenada “ditadura do proletariado”. Com o poder político nas mãos essa classe teria condições de organizar, planejar e executar a produção de mercadorias coletivamente distribuindo a riqueza de maneira igualitária para todos. No entanto, para que isso acontecesse era necessário a união e organização do proletariado. Neste processo eles tomariam a consciência-de-classe em si e para si, compreendendo seu papel histórico e agindo para que ele se efetivasse. Engels, parceiro de Marx, escreveu que a violência seria a parteira dessa nova sociedade. Toda essa teoria foi executada na Rússia, antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). No entanto, a história nos mostrou que o sistema instaurado não repercutiu da maneira esperada. Foram momentos de tensão e terror desde outubro de 1917 até a queda do muro de Berlim, em 1989, e o definitivo fim do conhecido leste europeu socialista. A América Latina sofreu esse processo de maneira particular. Orientada pelo poder norte-americano foram instaladas contra-revoluções capitalistas sob o comando militar. No Brasil, em 1964, o sonho comunista foi derrotado pela Ditadura Militar, que igualmente instaurou tensão e terror em nosso país.No entanto, não foi apenas um muro que caiu, foi o fim da utopia do socialismo real. A chama da esperança de um mundo comunista com igualdade e liberdade chegava ao fim. O sentimento de derrota e o vazio no peito tomou conta dos sonhadores românticos. Tal vazio foi preenchido com o fanatismo religioso oportunista, que tomou conta das lutas através de grupos terroristas armados com os próprios resíduos do mundo socialista.Hoje a realidade se modificou, a política se orienta pela democracia neoliberal, que curiosamente continua sendo comandada pelo poder econômico. Um exemplo desse comando é o próprio “mensalão”, em que é necessário comprar votos e barganhar recursos para que o poder legislativo permita que a democracia funcione da maneira que deveria funcionar por princípio. As análises de Marx, com as devidas contextualizações, ainda continuam valendo para essa sociedade, pois afinal ele analisou o funcionamento do sistema capitalista e pelo que sabemos esse sistema ainda continua prevalecendo e determinando nossas relações sociais. No entanto, o mundo do trabalho novamente se transformou, sofremos a revolução micro-eletrônica que criou um enorme exército de trabalhadores reserva e um gigantesco exército de inúteis para o sistema. Esses seres humanos, outrora trabalhadores, pelo próprio instinto do Estado de Natureza criaram estratégias e mecanismos para sobreviverem. Estão jogados nos bolsões de pobreza, também conhecidos como favelas, unindo-se forçosamente se organizam de diversas maneiras para tentar viver dignamente e buscar a tão sonhada felicidade contada na novela das oito, ou das oito e meia, ou nove. Como as antigas associações de bairros não são tão importantes como antigamente. Podemos citar algumas formas atuais de organização da população: Escolas de Samba, Mega-religiões Evangélicas, Torcidas Organizadas, entre outras, que de maneira mística e mítica dão algum sentido para a existência dessa população que sofre tanto com os dardos do destino cruel.O povo da América Latina tem uma peculiar característica: é um povo com forte marca sonhadora que aguarda a vinda do messias que o salvará da miséria dos homens. Enquanto este messias não vem as esperanças de uma vida melhor são acesas por líderes carismáticos, a exemplo de Hugo Chaves, na Venezuela, que com suas políticas populistas orientam a nação. No Brasil isso não aconteceu, embora o espírito nas eleições de 2002 fosse o mesmo. Assim, na falta desse líder político a necessidade de preencher o imaginário com as figuras de lutadores e questionadores são substituídas por apresentadores de programas policiais e esportivos, que gritam e dançam diante das câmeras de TV.Há também uma grande parte da população que vivencia as desigualdades de outra maneira. São quase atropelados, pela Mercedez de vidro fumê que desrespeita a faixa de pedestre, quando estão indo procurar trabalho para sustentar suas famílias. Os ricos empresários ostentam a criação da própria miséria alheia. São homens juridicamente iguais, mas economicamente diferentes, pois a maioria não teve a capacidade de ser selecionado no programa Aprendiz. O pior é que nem possuem telefone para desabafarem no Fala que eu te escuto. Mas o show da vida continua, para chegar lá é só lutar. E é isso que irão fazer criando facções e organizações que lhes garantem a realização do sonho da Casa Própria ou da gorda mensalidade para votar. O exército agora não é mais de reserva, cansaram de ver seu povo ser destruído pela guerra do mercado. Organizaram-se e manifestaram sua indignação perante o sistema. No entanto, o que me deixa triste é que atacaram apenas uma face do inimigo. O sistema carcerário é apenas uma peça dessa imensa organização chamada vida. Seu potencial revolucionário está canalizado para o alvo errado. Mas assim como a política de cotas para negros na universidade, ou a política de assistência social para os pobres, são apenas ações para afirmar e mostrar que alguma coisa no passado deu errado e continua sendo repetida.

1 comment:

Observadora said...

Esse é bom, apesar do relapso da data, que passou despecebido por mim... Beijos